Por que muitos chineses pagam para ir a escritório e fingir que trabalham

Entenda o comportamento e tendências.

Um fenômeno inusitado cresce entre jovens na China: pagar para frequentar escritórios falsos e fingir que estão trabalhando.

Com o desemprego juvenil acima de 14% em 2025 (BBC, 2025), esses espaços se tornaram uma alternativa curiosa para manter rotina, dignidade e até driblar regras acadêmicas.

Neste artigo, analisamos por que jovens chineses pagam para fingir que trabalham, como funciona o mercado desses escritórios “fake” e quais os impactos sociais, culturais e psicológicos dessa prática, além de comparar com alternativas no Brasil e no mundo.

O que são os “escritórios fake” na China?

Os escritórios falsos são ambientes pagos onde jovens desempregados simulam uma rotina de trabalho. Geralmente, eles oferecem:

  • mesas e computadores,
  • internet estável,
  • salas de reunião,
  • espaços de convivência com chá, café e snacks.

Os preços variam entre 30 a 50 yuan por dia (R$ 22 a 38), valor considerado acessível frente ao custo médio de coworkings.

Mais do que infraestrutura, esses locais oferecem um ambiente simbólico de dignidade: estar “ocupado” em um escritório transmite para a família e para si mesmo a sensação de não estar parado.

👉 Já pensou se esse modelo chegasse ao Brasil como alternativa aos coworkings tradicionais?

Por que jovens chineses estão aderindo a essa prática?

A adesão aos escritórios fake é resultado da combinação de fatores econômicos, sociais e psicológicos.

  1. Desemprego estrutural: o mercado chinês não absorve todos os formandos.
  2. Pressão familiar: pais esperam que os filhos “mostrem produtividade”.
  3. Rotina e disciplina: frequentar um escritório ajuda a manter horários fixos.
  4. Status social: muitos jovens evitam a vergonha de “estar sem fazer nada”.
  5. Uso estratégico: alguns utilizam os espaços para estudar, aprender IA ou comprovar estágios fictícios exigidos por universidades.

📊 Comparativo global do desemprego jovem (2025):

  • China: 14%
  • Brasil: 17% (IBGE, 2025)
  • União Europeia: 14,5% (Eurostat, 2025)
  • Média global: 13,6% (OIT, 2025)

Ou seja, não é um problema exclusivamente chinês — mas a resposta criativa encontrada no país chama a atenção.

Exemplos reais: histórias de quem “finge trabalhar”

  • Shui Zhou (30 anos): após falência do negócio no setor alimentício, paga diariamente para frequentar o Pretend To Work em Dongguan. Afirma que voltou a ter disciplina e até amizades.
  • Xiaowen Tang (23 anos): recém-formada, alugou estação de trabalho em Xangai. Usou o escritório fake para enviar fotos à universidade e validar o diploma como se estivesse estagiando, enquanto escrevia romances online.
  • Feiyu (30 anos): criador do Pretend To Work. Afirma vender não mesas de trabalho, mas “dignidade para não se sentir inútil”.

Esses relatos mostram que os escritórios não são apenas cenários, mas estratégias de sobrevivência social, acadêmica e psicológica.

Impacto social e cultural do fenômeno

Esse movimento reflete um choque entre:

  • Educação x mercado real: jovens com diplomas altamente competitivos não encontram vagas.
  • Confucionismo e ética do trabalho: na cultura chinesa, estar ocupado é sinal de valor e honra.
  • Família como núcleo de pressão: pais cobram resultados rápidos após a formatura.
  • Nova economia digital: freelancers e criadores de conteúdo também frequentam os espaços, mesclando encenação e trabalho real.

📌 Segundo Christian Yao (Victoria University of Wellington, 2025), os escritórios fake são uma “solução transitória diante da transformação econômica”.

Pergunta retórica: se a sociedade valoriza tanto o “estar ocupado”, será que a ociosidade criativa ainda tem espaço?

Comparação: escritórios fake x coworkings no Brasil

CaracterísticaEscritórios Fake (China)Coworkings (Brasil)
Objetivo principalFingir rotina de trabalhoProdutividade e networking
PúblicoJovens desempregadosProfissionais autônomos
Preço médio (diária)R$ 22 – R$ 38R$ 50 – R$ 120
Benefícios psicológicosDignidade, disciplinaNetworking, negócios reais
Estágio de carreiraInício ou transiçãoProfissionais ativos

👉 Enquanto no Brasil os coworkings são hubs de negócios, na China os escritórios fake funcionam como refúgio emocional e social.

Alternativas semelhantes em outros países

Embora o conceito de “fingir que trabalha” seja específico da China, existem paralelos internacionais:

  • Japão: cafés de estudo (jisshu cafés), onde pessoas pagam para escrever livros ou estudar em grupo.
  • Brasil: bibliotecas-coworkings e cafés silenciosos usados por concurseiros.
  • EUA: espaços de accountability groups, onde freelancers se reúnem apenas para manter disciplina.

Esses exemplos mostram que a busca por estrutura e comunidade é universal, mas a narrativa chinesa é única: fingir que trabalha como forma de manter reputação.

Impactos psicológicos: disciplina, pertencimento e ansiedade

Do ponto de vista psicológico, os escritórios fake:

  • ajudam a criar rotina para jovens deprimidos,
  • reduzem a pressão familiar,
  • oferecem rede de apoio e socialização,
  • funcionam como terapia coletiva não-oficial.

Por outro lado, há riscos:

  • normalização da precariedade,
  • disfarce de um problema estrutural,
  • dependência de ambientes artificiais para manter autoestima.

Segundo Biao Xiang (Instituto Max Planck, 2025), trata-se de um mecanismo de defesa contra a sensação de impotência: “criar distância da sociedade e dar espaço a si mesmo”.

👉 Você acredita que disciplina artificial pode se tornar hábito real?

O futuro dos escritórios fake

Algumas tendências apontam que esse fenômeno pode evoluir:

  1. Transformação em coworkings híbridos: mistura de “encenação” com oportunidades reais de networking.
  2. Educação + trabalho: universidades podem usar espaços assim como hubs de estágio simulado.
  3. Inteligência Artificial: muitos jovens, como Shui Zhou, usam o tempo nesses escritórios para aprender IA, aumentando chances de empregabilidade.
  4. Expansão global: a ideia pode inspirar modelos em países com alto desemprego juvenil, como Brasil, Espanha e África do Sul.

📊 Estimativa da OIT (2025): até 2030, mais de 40% dos empregos para jovens serão em modalidades flexíveis ou digitais.

Será que escritórios fake serão apenas um fenômeno chinês ou o embrião de um novo tipo de espaço de transição?

Erros comuns e mitos

  • “Esses jovens são preguiçosos” → Na realidade, buscam disciplina e pertencimento.
  • “É apenas moda passageira” → Já se espalhou por Xangai, Shenzhen, Wuhan e outras cidades.
  • “É ilegal” → Não há ilegalidade; funcionam como coworkings comerciais.
  • “Ninguém ganha nada com isso” → Muitos usam para estudar IA, escrever, criar redes de apoio.

Dica: veja esses escritórios não como fraude, mas como resposta criativa a um mercado falho.

Boas práticas e checklist

Se você pensa em analisar ou até adaptar esse modelo ao Brasil, considere:

  • Criar espaços com foco em rotina disciplinar.
  • Oferecer pacotes acessíveis com alimentação inclusa.
  • Estimular comunidade e suporte emocional.
  • Criar atividades coletivas (workshops, estudos em grupo).
  • Usar gamificação para aumentar engajamento.

Checklist:

  • Estrutura básica de escritório
  • Preço acessível
  • Atividades que promovam disciplina
  • Espaço de socialização
  • Rede de apoio emocional

FAQ

Por que jovens chineses pagam para fingir que trabalham?

Eles buscam disciplina, dignidade e rotina estruturada diante do desemprego elevado.

Quanto custa frequentar um escritório fake?

Entre 30 a 50 yuan por dia (R$ 22 a 38), variando conforme a cidade e serviços.

Esses escritórios existem fora da China?

Fenômenos semelhantes existem em coworkings e cafés no Ocidente, mas sem a narrativa explícita de “fingir trabalhar”.

Isso ajuda a conseguir emprego real?

Sim. Muitos usam o tempo para aprimorar habilidades, estudar IA ou comprovar estágios.

Esses espaços podem chegar ao Brasil?

Possivelmente, mas adaptados ao modelo de coworkings low cost ou bibliotecas pagas.

Conclusão

O fenômeno dos escritórios fake na China mostra como crises econômicas e pressões culturais geram soluções criativas.

Mais do que fingir, trata-se de reconstruir dignidade, disciplina e senso de pertencimento em meio a um mercado desafiador.

Com o avanço da economia digital e da IA, esses espaços podem se tornar trampolim para novos modelos de trabalho.

👉 E você, acredita que escritórios fake fariam sentido no Brasil?

Isenção de Responsabilidade (Disclaimer): Todo o conteúdo publicado neste artigo possui caráter exclusivamente informativo e educacional. As informações aqui contidas não constituem aconselhamento financeiro, recomendação de investimento ou oferta de compra/venda de ativos. Antes de tomar qualquer decisão financeira, consulte um profissional especializado e verifique as condições atualizadas junto às instituições oficiais.

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